OKR para vendas: 24 exemplos com números que você pode copiar hoje

Por Érico Rodrigues7 min de leitura

Um OKR de vendas junta um objetivo qualitativo ("virar referência no atendimento pós-venda") a três ou quatro resultados-chave medidos, cada um com número de partida, número de chegada e prazo. O erro mais comum é escrever meta de atividade no lugar de resultado: "fazer 300 ligações" mede esforço, "elevar a taxa de conversão de 12% para 18% até 31 de março" mede resultado. Abaixo estão 24 exemplos prontos, por momento do funil.

Qual a diferença entre meta de vendas e OKR de vendas?

Meta de vendas é um número: bater R$ 500 mil no trimestre. OKR é o número mais a aposta sobre como chegar lá. Ele existe porque a meta sozinha não diz a ninguém o que fazer na segunda-feira de manhã, e porque duas equipes podem bater o mesmo número por caminhos que deixam a empresa em situações opostas.

Um time que bate a meta dando 40% de desconto e outro que bate encurtando o ciclo de venda entregaram o mesmo relatório e construíram empresas diferentes. O OKR torna essa escolha explícita antes do trimestre, e não depois.

Escrito como metaEscrito como resultado-chave
Aumentar as vendasElevar a receita nova de R$ 180 mil para R$ 250 mil até 31/03
Prospectar maisElevar reuniões qualificadas por vendedor de 8 para 14 por mês
Melhorar a conversãoElevar a conversão de proposta em contrato de 22% para 31%
Vender melhorReduzir o desconto médio concedido de 18% para 9%
Perder menos clienteReduzir o churn mensal de 3,4% para 2,0%
A mesma intenção, escrita das duas formas

Repare no que a coluna da direita tem e a da esquerda não: o valor de PARTIDA. Sem ele não existe progresso, só chegou ou não chegou. É o erro mais frequente que vejo em OKR de vendas, e o mais barato de consertar.

24 exemplos de OKR para vendas, por momento do funil

Os números abaixo são ilustrativos e existem para mostrar a FORMA. Troque cada um pelo seu: um resultado-chave copiado com o número de outra empresa é pior que nenhum, porque parece decidido sem ter sido.

Topo de funil: gerar demanda qualificada

  • Elevar leads qualificados por marketing de 120 para 220 por mês até 30/06
  • Elevar a taxa de aceite de reunião no primeiro contato de 9% para 15%
  • Reduzir o custo por lead qualificado de R$ 340 para R$ 210
  • Elevar de 2 para 6 as indicações de clientes ativos por mês
  • Elevar a participação do canal parceiro na origem de oportunidades de 8% para 20%
  • Reduzir o tempo entre o cadastro do lead e o primeiro contato de 26 h para 4 h

Meio de funil: transformar conversa em proposta

  • Elevar a conversão de reunião em proposta de 34% para 48%
  • Reduzir o ciclo médio de venda de 51 para 38 dias
  • Elevar o ticket médio da proposta de R$ 1.900 para R$ 2.700
  • Elevar de 40% para 85% as oportunidades com o decisor mapeado antes da proposta
  • Reduzir de 22% para 8% as oportunidades perdidas por falta de acompanhamento
  • Elevar de 3 para 7 os casos de sucesso documentados e usáveis na negociação

Fundo de funil: fechar sem destruir margem

  • Elevar a conversão de proposta em contrato de 22% para 31%
  • Reduzir o desconto médio concedido de 18% para 9%
  • Elevar a receita nova recorrente de R$ 180 mil para R$ 250 mil no trimestre
  • Elevar de 55% para 80% os contratos fechados no prazo prometido ao cliente
  • Reduzir de 14 para 5 dias o tempo entre o aceite e a assinatura
  • Elevar de 12% para 25% a participação do plano anual nas vendas novas

Pós-venda: a parte que quase todo OKR de vendas esquece

  • Elevar a retenção de receita líquida de 96% para 108%
  • Reduzir o churn mensal de 3,4% para 2,0%
  • Elevar o NPS de 41 para 60
  • Elevar de 18% para 35% os clientes que usam o produto toda semana no primeiro mês
  • Reduzir o tempo até o primeiro valor entregue de 21 para 7 dias
  • Elevar de 0 para 12 os clientes dispostos a dar depoimento com nome e cargo

Se a sua lista de resultados-chave tem só os seis do fundo do funil, o time vai otimizar o fechamento e secar o topo em dois trimestres. É o padrão mais comum de OKR de vendas mal balanceado, e ele só aparece quando já é tarde.

Quantos resultados-chave por objetivo?

Três a cinco. Abaixo de três, o objetivo costuma ser um resultado-chave disfarçado. Acima de cinco, ninguém consegue recitar de cabeça, e o que não se recita não orienta decisão no meio da semana, que é para o que o OKR serve.

A conta prática: se você precisa abrir a planilha para lembrar o que está perseguindo, são resultados-chave demais.

Por que o OKR de vendas morre em março?

Porque ele foi escrito num lugar e o trabalho acontece em outro. O objetivo vive num slide da reunião de planejamento, o número vive numa planilha que uma pessoa atualiza, e as tarefas vivem no CRM ou num quadro. Manter os três em sincronia depende de disciplina, e disciplina é exatamente o recurso que acaba primeiro numa equipe de vendas em mês de fechamento.

A pergunta que separa um OKR que sobrevive de um que não sobrevive não é sobre a redação. É esta: quando alguém marca uma tarefa como concluída, algum número se move sozinho? Se a resposta for não, o método depende de alguém lembrar de atualizar, e essa pessoa vai parar de lembrar.

Como transformar esses exemplos em trabalho de verdade

  1. Escolha UM objetivo para o trimestre. Um. O segundo objetivo é o que faz o primeiro não acontecer.
  2. Escreva de 3 a 5 resultados-chave, cada um com valor de partida, valor de chegada e data.
  3. Para cada resultado-chave, aponte o indicador que já existe e o dono. Se não existe indicador, o resultado-chave ainda não é mensurável.
  4. Quebre cada resultado-chave em tarefas com responsável e prazo, no quadro que a equipe já usa.
  5. Marque um check-in semanal de 15 minutos. Não é reunião de status: é para decidir o que muda na semana.
  6. No fim do ciclo, escreva o que aprendeu antes de escrever o ciclo seguinte.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre KPI e resultado-chave?
O KPI é o indicador que você acompanha o tempo todo, com ou sem ciclo de OKR: taxa de conversão, ticket médio, churn. O resultado-chave é a AMBIÇÃO daquele indicador neste ciclo, com valor de partida, de chegada e prazo. Um KPI vive para sempre; um resultado-chave termina no fim do trimestre.
Posso usar meta de atividade como resultado-chave?
Não como resultado-chave. "Fazer 300 ligações" mede esforço, e é possível fazer as 300 sem mover nada. Atividade entra como tarefa, ligada ao resultado-chave que ela deveria mover. A exceção é o começo de uma operação nova, quando ainda não existe histórico para prever conversão: aí a atividade serve como resultado-chave por um ciclo, para gerar a base.
Quantos objetivos uma equipe de vendas deve ter por trimestre?
Um, se a equipe tem menos de dez pessoas. Dois no máximo. Cada objetivo a mais divide a atenção sem dividir a semana, e o resultado é sempre o mesmo: todos ficam a 60%.
O OKR substitui a meta de comissão?
Não, e misturar os dois costuma estragar os dois. Comissão remunera o resultado individual e precisa ser previsível; OKR orienta a aposta coletiva do trimestre e precisa ser ambicioso o bastante para às vezes não ser batido. Amarrar dinheiro ao OKR faz o time escrever resultados-chave fáceis, que é o oposto do que ele serve.
Com que frequência atualizo os números?
Semanalmente, e no menor esforço possível. Se atualizar custa mais de dois minutos por resultado-chave, o time vai parar em três semanas. Onde o indicador vem de uma planilha ou de um sistema com API, o número deve entrar sozinho.
Faz sentido usar OKR numa equipe de vendas de três pessoas?
Faz, e talvez mais que numa de trinta. Quanto menor o time, mais caro sai cada pessoa remando para um lado diferente. O que muda é a cerimônia: um objetivo, três resultados-chave, um check-in de 15 minutos por semana. Nada de planejamento de dois dias.

Para continuar

O passo seguinte natural depois de escrever os resultados-chave é decidir quem acompanha cada um e onde o número vai morar. É a decisão que determina se o ciclo chega em junho.