Agência de marketing: como parar de tocar a agência no grito da conta do cliente

Por Érico Rodrigues5 min de leitura
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Numa agência, a prioridade é definida por quem cobra mais alto, e não por quem dá mais resultado. O indicador que quebra esse ciclo é margem por conta: horas gastas contra honorário recebido, cliente a cliente. Ele quase sempre revela que a conta que mais exige é a que menos paga por hora entregue.

Por que a agência é tocada no grito

Porque, sem um critério explícito, urgência é o único sinal disponível. O cliente que liga irritado na terça consegue atenção; o que espera educadamente entra na fila. É racional para quem atende e péssimo para a agência.

O efeito acumulado aparece na margem: a conta barulhenta consome três vezes mais horas que o previsto, e a diferença sai do resultado da agência sem ninguém decidir isso.

IndicadorO que revelaQuem move
Margem por contaQual cliente dá lucro e qual subsidiaAtendimento e coordenação
Horas por entregaSe o escopo vendido cabe no que foi cobradoCoordenação
Retrabalho de peçaBriefing ruim, aprovação confusa ou execução apressadaAtendimento e criação
Tempo em aprovação do clienteA etapa que mais atrasa e que a agência não controlaAtendimento
Taxa de ocupação da equipeSe sobra folga para absorver imprevistoCoordenação
Retenção de contaSe a agência constrói base ou repõe perdaAtendimento
Os indicadores de uma agência

Ocupação acima de 85% parece eficiência e é onde o prazo começa a estourar. Sem folga, qualquer alteração de última hora de um cliente vira atraso em três outros, e a agência passa a operar sempre em modo de urgência.

O retrabalho de peça é onde o dinheiro some

Uma peça refeita três vezes consome o triplo de hora e é faturada uma. E as causas são previsíveis: briefing incompleto, aprovação por pessoa que não decide, referência mudando no meio, e ausência de rodada de alinhamento antes da execução.

Contar rodadas de alteração por peça, por um mês, costuma mostrar que dois ou três clientes concentram a maior parte, e que a causa é sempre a mesma naquele cliente. Isso transforma uma queixa difusa em uma conversa concreta com o contato certo.

Metas que recuperam a prioridade da agência

  • Elevar a margem média por conta de 22% para 38% até 31/03
  • Reduzir de 3,4 para 1,5 as rodadas médias de alteração por peça
  • Reduzir o tempo médio em aprovação do cliente de 6 para 2 dias
  • Reduzir de 41% para 12% as horas gastas em contas com margem negativa
  • Elevar de 58% para 80% as entregas dentro do prazo prometido ao cliente
  • Reduzir a ocupação média da equipe de 96% para 82%

Os números são ilustrativos. Troque pelos seus, e comece pela margem por conta: ela é a única da lista que a agência costuma nunca ter calculado, e o resultado quase sempre reordena a prioridade de quem atende quem.

O último parece contraintuitivo e é a meta que mais melhora prazo e qualidade ao mesmo tempo. Reduzir ocupação não significa trabalhar menos: significa aceitar menos contas simultâneas ou renegociar escopo, e é uma decisão comercial disfarçada de operacional.

Como recuperar a prioridade

  1. Meça horas por conta por um mês, mesmo que de forma aproximada.
  2. Cruze com o honorário. A lista de margem por conta costuma surpreender os sócios.
  3. Para as contas com margem negativa, decida: renegociar escopo, reajustar ou encerrar.
  4. Estabeleça um critério explícito de prioridade que não seja urgência.
  5. Comunique o critério ao time. Sem isso, o atendimento continua respondendo a quem grita.

O passo 4 é o que a agência costuma pular, e é o único que muda comportamento. Um critério escrito, ainda que imperfeito, dá ao atendimento uma base para dizer "isso entra na quinta" sem parecer que está sendo negligente.

Perguntas frequentes

Como medir horas sem apontamento formal?
Uma estimativa semanal por pessoa, distribuindo o tempo entre as contas, resolve o diagnóstico inicial. Ela é imprecisa e é suficiente para mostrar a ordem de grandeza, que é o que a conversa precisa. Apontamento detalhado só compensa depois que a decisão de gestão já está sendo tomada com o dado.
Encerrar conta ruim não é perigoso?
É, e às vezes é a decisão certa. Uma conta com margem negativa consome capacidade que poderia atender duas rentáveis, e ela costuma ser também a que mais desgasta o time. Antes de encerrar, vale tentar renegociar escopo com o dado de horas na mão: a maioria dos clientes não sabe quanto consome.
Vale ter meta de novos clientes?
Vale, com um par de margem. Agência que cresce em número de contas e não em margem está aumentando o trabalho e não o resultado, e o efeito aparece como esgotamento da equipe antes de aparecer no caixa.

O nome disto, e por que o ciclo é de três meses

O que está descrito acima, escolher poucos números, dar um dono a cada um, dizer de onde ele sai e aonde precisa chegar, e olhar toda semana, é o método que se chama OKR. O nome importa pouco para quem toca a agência no dia a dia. Ele importa se você quiser procurar mais material, ou explicar para os sócios por que três meses e não um ano.

E a resposta sobre o trimestre é prática, não teórica: três meses é longo o bastante para mover um número de verdade e curto o bastante para o time ainda lembrar o que combinou. Um ano vira carta de intenções; um mês vira lista de tarefas com nome bonito. Se o próximo passo for implantar, o cronograma de 30 dias tem o que fazer em cada semana.

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