Como implementar OKR na empresa em 30 dias: o cronograma semana a semana

Por Érico Rodrigues7 min de leitura

Trinta dias bastam para implantar OKR numa empresa de até cem pessoas, divididos assim: semana 1 para decidir a prioridade da empresa e levantar os números que já existem, semana 2 para os times escreverem os deles, semana 3 para revisar e cortar, e semana 4 para o primeiro check-in acontecer de verdade. O passo que a maioria pula é o terceiro.

O que fazer antes da semana 1?

Uma coisa só, e leva cinco minutos: coloque o check-in semanal na agenda de todo mundo, recorrente, com dia, hora e um responsável por conduzir. Vinte e cinco minutos.

Parece cedo demais e é exatamente o ponto. Toda implantação que eu vi falhar tinha OKRs bem escritos e não tinha hora marcada para olhar. Quando o compromisso já está na agenda antes de existir conteúdo, ele sobrevive à primeira semana corrida. Quando é marcado depois, ele compete com coisas que já estavam lá e perde.

Semana 1: a liderança decide, e alguém levanta os números

QuandoQuemO que aconteceO que sai
SegundaFundador e diretoresReunião de 2h: qual é a prioridade do trimestre2 a 4 objetivos de empresa, escritos
Terça a quintaUma pessoaLevantar o valor de HOJE de cada número candidatoUma lista de indicadores com valor atual
SextaLiderançaFechar os resultados-chave da empresaObjetivos com 3 a 5 KRs, com partida e meta

A pergunta que conduz a reunião de segunda não é "o que queremos fazer". É "o que, se der certo neste trimestre, faz o resto importar menos". Ela força escolha de um jeito que a primeira pergunta não força.

O levantamento de terça a quinta é o trabalho mais ingrato e o mais importante da semana. Em boa parte das empresas, metade dos números que a liderança quer usar não existe ainda, ou existe com duas versões diferentes em dois sistemas. Descobrir isso na semana 1 é barato. Descobrir na semana 6, quando alguém pergunta como está o resultado-chave, custa o ciclo.

Semana 2: cada time escreve o seu

Cada time faz uma reunião de noventa minutos com uma pergunta na frente: dado o que a empresa quer neste trimestre, como nós contribuímos? Não é receber um pedaço do OKR da empresa, é responder à pergunta.

A diferença entre as duas coisas define se o método vai pegar. Cascatear literalmente, quebrando o objetivo da empresa em fatias e distribuindo, produz OKR de time que não faz sentido sozinho e que ninguém sente como seu. Perguntar como contribuímos produz algo que o time defende, e às vezes produz uma resposta melhor do que a liderança tinha imaginado.

  1. Um objetivo por time, no primeiro ciclo. Dois só se o time tiver mais de dez pessoas.
  2. Três a cinco resultados-chave, cada um com dono, valor de partida e meta.
  3. Para cada resultado-chave, uma pergunta obrigatória: de onde vem esse número, toda semana?
  4. Se a resposta for "alguém calcula", troque o resultado-chave por um que seja barato de medir.
Tela de OKRs do Orzon com objetivos por time, progresso e resultados-chave
O trimestre montado: objetivos por time, com progresso e os resultados-chave de cada um

Semana 3: a semana de cortar

Esta é a semana que quase toda empresa pula, e é a que mais rende. Junte tudo que os times escreveram numa lista só e olhe o total.

Quase sempre a soma assusta. Cinco times com um objetivo e quatro resultados-chave cada dão vinte números para a empresa acompanhar, mais os da liderança. E há sobreposição: dois times perseguindo o mesmo indicador por caminhos diferentes, ou um resultado-chave que depende inteiramente de outro time entregar algo que não está no OKR de ninguém.

O que você achaO que fazer
Dois times com o mesmo indicadorDecidir quem é dono. O outro vira apoio, sem KR próprio
KR que depende de outro timeOu o outro time assume, ou a dependência vira risco declarado
KR sem valor de partidaVolta para o time. Não passa
Iniciativa disfarçada de KRReescrever perguntando o que muda quando ela for entregue
Time com 6 ou mais KRsCortar para 4. O que sai vira lista de espera do próximo ciclo
O que procurar na leitura conjunta

O que sai não é jogado fora, é escrito numa lista de espera visível. Isso importa mais do que parece: a resistência a cortar quase sempre é medo de que a ideia se perca, não convicção de que ela é prioritária. Com a lista existindo, o corte deixa de ser uma briga.

Semana 4: o primeiro check-in, e o que ele revela

O primeiro check-in é curto e quase sempre decepcionante, e isso é normal. Ninguém tem número novo depois de uma semana. O objetivo dele não é reportar progresso, é testar a mecânica.

O roteiro que funciona, por resultado-chave, em menos de dois minutos cada: qual é o número hoje, ele mudou desde a semana passada, e o que você vai fazer até a próxima. Nada de apresentação, nada de slide.

O que esse primeiro encontro revela costuma ser mais valioso que o conteúdo: quais números ninguém conseguiu levantar, quais donos não sabiam que eram donos, e quais resultados-chave ninguém entendeu do mesmo jeito. Corrija na hora. É muito mais barato agora do que na semana 8.

O que conta como sucesso no primeiro ciclo?

Não é bater as metas. É chegar ao fim do trimestre com o check-in ainda acontecendo e com os números atualizados. Se isso estiver de pé em março, a empresa aprendeu o hábito e o resto vem sozinho nos ciclos seguintes.

Uma empresa que bate todas as metas do primeiro ciclo e abandona o check-in na semana 5 está pior do que uma que bateu metade e manteve a cadência. A primeira aprendeu a escrever meta fácil; a segunda aprendeu a gerir.

Perguntas frequentes

Dá para implantar em menos de 30 dias?
Dá, numa empresa de até vinte pessoas, comprimindo para duas semanas: uma para decidir e escrever, outra para revisar e começar. O que não dá para comprimir é o levantamento dos valores de partida, porque ele depende de sistemas e de gente que não está na reunião.
Preciso treinar o time antes?
Uma hora de contexto basta para começar, e é melhor que um treinamento longo antes de existir conteúdo. O aprendizado real acontece na semana 3, quando o time vê os próprios resultados-chave sendo reescritos e entende na prática a diferença entre iniciativa e resultado.
E se a liderança não estiver convencida?
Então não implante na empresa inteira. Rode um ciclo com um time só, de preferência um que tenha um número claro para mover, e apresente o resultado em abril. Implantação de método sem patrocínio de quem decide vira mais um processo que o time cumpre por educação e abandona no primeiro aperto.
Qual o melhor momento do ano para começar?
O começo de um trimestre de calendário é o mais confortável, mas esperar até janeiro para começar em setembro é pior que começar com um ciclo curto. Um primeiro ciclo de seis ou oito semanas, encerrando junto com o trimestre vigente, funciona bem e ensina o hábito mais rápido.
Todo mundo precisa participar do check-in?
Só quem é dono de algum resultado-chave, mais quem conduz. Um check-in com quinze pessoas em que doze só assistem é uma reunião de status disfarçada, e ela vai ser cancelada por bom senso em algumas semanas. Times separados, check-ins separados, e uma leitura conjunta a cada duas ou três semanas.

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