Corretora de seguros: da meta de produção à meta de renovação

Por Érico Rodrigues4 min de leitura
Compartilhar este artigo

Numa corretora, produção nova é o que se comemora e renovação é o que sustenta. Uma carteira com 70% de renovação e outra com 90% têm crescimentos completamente diferentes com o mesmo esforço comercial, porque a primeira precisa repor um terço da base todo ano só para ficar no mesmo lugar.

A aritmética da renovação

Uma carteira de mil apólices com 70% de renovação perde 300 por ano. Para crescer 10%, a corretora precisa vender 400 apólices novas. Com 90% de renovação, ela precisa de 200 para o mesmo crescimento.

É o mesmo esforço comercial produzindo o dobro de resultado, e a diferença não está em vender melhor: está em não perder. Isso torna a renovação o indicador de maior alavancagem da corretora, e ela costuma não ter dono.

IndicadorO que revelaQuem move
Taxa de renovaçãoSe a carteira sustenta ou vazaAtendimento e corretor
Contato antes do vencimentoA causa raiz da não renovaçãoAtendimento
Mix de produtos por clienteCrescimento sem custo de aquisiçãoCorretor
Sinistralidade da carteiraSe a seguradora mantém as condiçõesSubscrição e corretor
Tempo de resposta na cotaçãoConversão de oportunidadeAtendimento
Comissão média por apóliceSe o mix vendido é rentávelCorretor
Os indicadores de uma corretora

A perda por inércia

Boa parte da não renovação não é decisão do cliente: é ausência de contato. A apólice vence, ninguém liga, o cliente recebe uma cotação de outro corretor e troca sem ter ficado insatisfeito.

O indicador que resolve isso é simples: percentual de apólices contatadas com 45 dias de antecedência do vencimento. Ele é totalmente controlável pela corretora e explica grande parte da variação de renovação entre corretoras semelhantes.

Mix é a venda mais barata

Um cliente que tem só o seguro auto e poderia ter residencial, vida e viagem representa receita sem custo de aquisição: ele já confia, já está cadastrado e já tem relacionamento.

E o efeito colateral é ainda mais valioso: cliente com dois ou mais produtos renova em taxa muito maior que cliente com um só. Mix e renovação se reforçam, o que faz do mix a alavanca dupla da corretora.

Metas que sustentam a carteira, não só a produção

  • Elevar a taxa de renovação de 71% para 88% até 31/03
  • Elevar de 34% para 95% as apólices contatadas 45 dias antes do vencimento
  • Elevar de 1,3 para 2,1 os produtos por cliente ativo
  • Reduzir o tempo médio de resposta na cotação de 2 dias para 4 horas
  • Elevar de 18% para 40% os clientes com dois ou mais produtos
  • Reduzir a sinistralidade da carteira de 68% para 54%

Os números são ilustrativos. Troque cada um pelo seu, e confira o denominador da renovação: apólices renovadas sobre apólices que VENCERAM, nunca sobre o total da carteira. O erro infla o número e esconde o vazamento.

Sinistralidade é gestão de longo prazo

Ela não muda em um trimestre e decide as condições que a seguradora oferece à corretora no ano seguinte. Uma carteira com sinistralidade alta perde comissão, perde condição e em casos extremos perde a parceria.

O que a corretora controla é a subscrição: para quem ela vende e com que perfil. Medir sinistralidade por corretor e por segmento costuma revelar concentração, e ela é endereçável na política de aceitação.

Perguntas frequentes

Como medir renovação corretamente?
Apólices renovadas dividido por apólices que venceram no período, e não por total de apólices. O erro comum de denominador infla o número e esconde o vazamento, especialmente em carteira que cresce, porque as apólices novas diluem a conta.
Corretor autônomo aceita meta?
Aceita informação e reconhecimento melhor que meta imposta, como em qualquer equipe não empregada. Mostrar a renovação da carteira dele comparada à média costuma gerar ação, principalmente porque a renovação é receita dele que está sendo perdida sem esforço.
Vale investir em produto de comissão baixa para ampliar mix?
Vale quando ele eleva a renovação do conjunto, que costuma ser o caso. A conta certa não é a comissão daquele produto isolado, e sim o valor da carteira do cliente ao longo dos anos, que sobe quando ele tem mais de um produto na mesma corretora.

Isto tem nome, e ele ajuda a procurar mais

O que está descrito acima, escolher poucos números, dar um dono a cada um, dizer de onde ele sai e aonde precisa chegar, e olhar toda semana, é o método que se chama OKR. O nome importa pouco para quem toca a corretora no dia a dia. Ele importa se você quiser procurar mais material, ou explicar para os corretores por que três meses e não um ano.

E a resposta sobre o trimestre é prática, não teórica: três meses é longo o bastante para mover um número de verdade e curto o bastante para o time ainda lembrar o que combinou. Um ano vira carta de intenções; um mês vira lista de tarefas com nome bonito. Se o próximo passo for implantar, o cronograma de 30 dias tem o que fazer em cada semana.

Compartilhar este artigo

Continue por aqui