OKR para compras: 18 exemplos de economia, prazo e qualidade de fornecedor

Por Érico Rodrigues5 min de leitura
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Um OKR de compras equilibra três coisas que competem: preço, prazo e qualidade. Perseguir só economia leva a comprar barato de quem atrasa, e o custo reaparece na parada de produção. Abaixo estão 18 exemplos com número, unidade e prazo, em economia, nível de serviço, qualidade de fornecedor e processo.

Por que perseguir só economia dá errado?

Porque economia é o indicador mais fácil de melhorar por meios que a área de compras não paga. Trocar por um fornecedor 12% mais barato que entrega com uma semana de atraso transfere o custo para a produção, para o atendimento e para o cliente, e nenhum desses custos aparece no relatório de compras.

É a mesma classe de problema do CAC no marketing e da inadimplência no financeiro. O par que segura é nível de serviço do fornecedor: entregas no prazo, ou paradas causadas por falta de material.

Escrito como atividadeEscrito como resultado
Renegociar contratosReduzir o custo unitário dos 20 itens de maior volume em 14%
Homologar novos fornecedoresReduzir de 71% para 40% a participação do maior fornecedor
Implantar o portal de comprasReduzir o tempo médio de requisição a pedido de 9 para 2 dias
Cobrar os atrasosElevar de 62% para 92% as entregas recebidas na data acordada
Revisar o estoqueReduzir de 18% para 5% os itens em ruptura no mês
A mesma intenção, escrita das duas formas

18 exemplos de OKR para compras

Economia e custo

Os números são ilustrativos. Troque cada um pelo seu, e cuidado especial com economia: sem definir antes se você mede economia negociada ou realizada, a meta vale o que a definição valer. Se o valor de hoje não existe, medi-lo é a primeira tarefa.

  • Reduzir o custo unitário dos 20 itens de maior volume em 14% até 31/12
  • Elevar de R$ 240 mil para R$ 600 mil a economia realizada e comprovada no ano
  • Reduzir de 22% para 8% as compras feitas fora de contrato negociado
  • Elevar de 30% para 85% as compras acima de R$ 5 mil com ao menos três cotações
  • Reduzir o custo de frete sobre o valor comprado de 6,2% para 3,8%

Nível de serviço e prazo

  • Elevar de 62% para 92% as entregas recebidas na data acordada
  • Reduzir de 11 para 2 as paradas de operação causadas por falta de material
  • Reduzir o prazo médio de reposição dos itens críticos de 21 para 9 dias
  • Reduzir de 18% para 5% os itens em ruptura no mês
  • Reduzir o tempo médio entre requisição e pedido de 9 para 2 dias

Qualidade e risco de fornecedor

  • Reduzir de 71% para 40% a participação do maior fornecedor na categoria crítica
  • Elevar de 2 para 6 os fornecedores homologados por categoria crítica
  • Reduzir de 9% para 2% os itens recebidos com não conformidade
  • Elevar de 12% para 80% os fornecedores críticos com avaliação formal no ano
  • Reduzir de 4 para 0 os fornecedores críticos sem contrato assinado vigente

Processo interno

  • Reduzir de 34% para 10% as requisições devolvidas por falta de informação
  • Elevar de 20% para 90% as compras recorrentes tratadas por contrato guarda-chuva
  • Reduzir de 26 para 8 as horas semanais gastas com cotação de item de baixo valor

Economia negociada ou economia realizada?

É a distinção que separa um OKR de compras honesto de um decorativo. Economia negociada é a diferença entre a primeira proposta e a última: um número que a área controla inteiramente e que sobe com uma boa conversa. Economia realizada é a diferença entre o que se pagava antes e o que se pagou depois, no mesmo volume.

As duas divergem por três motivos que aparecem sempre: o volume comprado mudou, o item especificado mudou, ou o desconto negociado nunca virou pedido. Medir a realizada dá trabalho e é a única que aparece no caixa.

Uma regra que resolve a discussão antes dela começar: a economia só conta quando o financeiro consegue apontar a linha em que ela apareceu. É desconfortável no primeiro trimestre e encerra permanentemente a dúvida sobre o número.

Quando concentração de fornecedor vira resultado-chave?

Quando o custo de uma interrupção é maior que o desconto de escala. Comprar 71% de uma categoria de um fornecedor só costuma render preço melhor, e transforma um problema dele em uma parada sua.

Vale escrever esse resultado-chave quando o item é crítico, quando o fornecedor tem sinais de instabilidade, ou depois de um susto. E vale ser explícito sobre o custo: diversificar quase sempre aumenta o preço unitário, e a empresa precisa decidir isso com o número na frente, não descobrir em março que a economia caiu.

Perguntas frequentes

Compras deve ter OKR separado ou dentro do financeiro?
Separado quando há uma equipe dedicada e volume relevante. Em empresa menor, onde compras é uma função dentro do financeiro ou da operação, funciona melhor um ou dois resultados-chave dentro do OKR daquela área, tipicamente um de custo e um de prazo.
Como medir nível de serviço do fornecedor sem sistema?
Uma planilha com data prometida e data recebida por pedido resolve o suficiente para o primeiro ciclo. O trabalho é registrar a data prometida no momento do pedido, que é justamente o que quase nunca é feito. Sem esse campo, o indicador não existe, por melhor que seja o sistema.
Redução de estoque é bom resultado-chave?
É, com o par obrigatório de ruptura. Estoque baixo e ruptura alta é o pior dos dois mundos e é o resultado natural de perseguir só o primeiro. Os dois juntos forçam a conversa certa, que é sobre previsão de demanda e prazo de reposição.
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