Farmácia e rede de drogarias: metas de balcão e de rede no mesmo lugar

Por Érico Rodrigues4 min de leitura
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Numa farmácia, o medicamento de tarja traz fluxo e margem baixa; perfumaria e genérico trazem margem e dependem de oferta ativa. O erro é gerir pelo faturamento, que é dominado pelo item de menor margem. Os indicadores que a equipe de balcão move são itens por cupom, participação de genérico e ruptura.

Por que faturamento não orienta o balcão

Porque ele é dominado por medicamentos de tarja, que têm preço regulado e margem apertada. Uma farmácia pode crescer 15% em faturamento e piorar o resultado, se o crescimento vier todo dessa categoria.

O que o atendente move é outra coisa: se o cliente que veio buscar um medicamento leva também o genérico da receita, um item de cuidado pessoal, ou nada além do que pediu. Essa decisão acontece em trinta segundos no balcão e define a margem do dia.

IndicadorO que revelaQuem move
Itens por cupomSe há oferta complementar no balcãoAtendente
Participação de genéricoMargem sem mudar o público atendidoAtendente
Ruptura dos itens de alto giroCliente perdido para a concorrência próximaCompras e reposição
Perda por vencimentoCapital que virou lixoCompras e controle de validade
Margem por categoriaQual categoria sustenta a lojaGestão
Recompra de crônicoCliente de uso contínuo que não voltouBalcão e atendimento
Os indicadores, e quem move cada um

O cliente de uso contínuo é o mais valioso e o menos gerido

Quem usa medicamento contínuo compra todo mês, de forma previsível, pelo resto do tratamento. E some sem aviso: se não encontrou o produto uma vez, passou a comprar na farmácia do lado e não volta.

Uma lista de clientes de uso contínuo, com a data prevista da próxima compra, transforma isso em receita gerenciável. É o mesmo mecanismo da vacinação em clínica veterinária: existe uma data conhecida, e ninguém a usa.

A ruptura pesa mais em farmácia que em quase todo varejo, porque a alternativa está literalmente na esquina e o cliente não pode esperar. Uma ruptura num item de uso contínuo não custa uma venda: custa o cliente inteiro.

Metas que o balcão move no mesmo turno

  • Elevar os itens por cupom de 1,6 para 2,4 até 31/03
  • Elevar a participação de genérico de 22% para 38% dos medicamentos vendidos
  • Reduzir a ruptura dos 100 itens de maior giro de 14% para 4%
  • Reduzir a perda por vencimento de 1,8% para 0,5% do estoque
  • Elevar de 31% para 62% a recompra de clientes de uso contínuo no mês seguinte
  • Elevar a margem de perfumaria e cuidado pessoal de 28% para 36%

Os números são ilustrativos. Troque cada um pelo seu, e não use faturamento como referência para nenhum deles: ele é dominado por medicamento de margem baixa e vai apontar para a decisão errada.

Como a meta chega no balcão

Pelo número do dia, não pelo relatório do mês. O atendente trabalha em ciclos de minutos, e um indicador que aparece no fechamento não participa de nenhuma decisão dele.

  1. Escolha UM indicador de balcão, tipicamente itens por cupom.
  2. Deixe o número do dia anterior visível na loja, atualizado toda manhã.
  3. Traduza em ação: qual item complementar oferecer em cada situação comum.
  4. Compare turnos e lojas entre si, que é onde a variação de método aparece.

Perguntas frequentes

Oferecer genérico não reduz o faturamento?
Reduz o valor do cupom e costuma aumentar a margem, porque a margem percentual do genérico é bem maior. É o exemplo mais claro de por que gerir farmácia por faturamento leva à decisão errada: o número que precisa subir é a margem, não o valor vendido.
Meta por atendente gera venda empurrada?
Gera se for só de volume ou de item específico. Itens por cupom com satisfação e devolução ao lado costuma se manter saudável, e vale ser explícito com a equipe de que oferecer é diferente de insistir, sobretudo em farmácia.
Como controlar vencimento sem sistema?
Conferência mensal dos itens com validade nos próximos 90 dias, priorizando as categorias de maior valor. A ação seguinte é oferta dirigida antes de o produto entrar na janela crítica, e ela recupera boa parte do que hoje vira perda.

Como se chama isso, e por que o ciclo é curto

O que está descrito acima, escolher poucos números, dar um dono a cada um, dizer de onde ele sai e aonde precisa chegar, e olhar toda semana, é o método que se chama OKR. O nome importa pouco para quem toca a farmácia no dia a dia. Ele importa se você quiser procurar mais material, ou explicar para a equipe de balcão por que três meses e não um ano.

E a resposta sobre o trimestre é prática, não teórica: três meses é longo o bastante para mover um número de verdade e curto o bastante para o time ainda lembrar o que combinou. Um ano vira carta de intenções; um mês vira lista de tarefas com nome bonito. Se o próximo passo for implantar, o cronograma de 30 dias tem o que fazer em cada semana.

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