Como fazer OKR sendo uma empresa de 8 pessoas

Por Érico Rodrigues4 min de leitura
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Com oito pessoas, o OKR cabe em um objetivo, três resultados-chave e quinze minutos por semana. Não existe cascata, não existe OKR de time e não existe OKR individual: o OKR é da empresa inteira, porque a empresa inteira cabe numa sala. O que não muda é a exigência de número com valor de partida.

O que cortar do método

Do método padrãoCom 8 pessoas
OKR de empresa e de timeUm só, da empresa
Cascata entre níveisNão existe. A distância é de dois metros
Reunião de definição de 4 horas90 minutos, com todo mundo na sala
Check-in por time15 minutos, uma vez, com todos
Revisão de meio de ciclo de 1 hora20 minutos na semana 6
Fechamento de 2 horas45 minutos, focado em aprendizado
Facilitador dedicadoQuem lidera conduz
O que empresa de 8 pessoas não precisa

Somando, são cerca de cinco horas por trimestre. Se ficar mais pesado que isso, o método vai ser abandonado, e com razão: uma empresa de oito pessoas que gasta dez horas por trimestre em cerimônia de gestão está gastando mais de 1% da capacidade dela nisso.

O que NÃO cortar

  • O valor de partida em cada resultado-chave. Sem ele não há progresso, e isso não muda com o tamanho.
  • O check-in semanal. É o que sustenta tudo, e em empresa pequena ele é ainda mais barato.
  • Um dono por resultado-chave, com nome. Com oito pessoas, "todo mundo" significa ninguém.
  • O fechamento com aprendizado. É onde o segundo ciclo fica melhor que o primeiro.

Erro 1: imitar a estrutura de empresa grande

Acontece com frequência e é bem intencionado. A empresa lê um material sobre OKR, vê a estrutura de empresa e times, e cria OKR para o "time comercial" de duas pessoas e para o "time de produto" de três. Resultado: seis documentos onde deveria haver um, e as mesmas pessoas aparecendo em três deles.

A régua: se o time inteiro cabe numa sala e todo mundo se fala todo dia, o OKR é da sala. Times separados fazem sentido quando as pessoas não conversam naturalmente, que é o problema que a cascata resolve e que você não tem.

Erro 2: o dono ser dono de tudo

É o erro mais comum em empresa pequena e o mais difícil de enxergar de dentro. Os três resultados-chave acabam com o fundador como responsável, porque ele é quem tem acesso aos números e quem decide.

Quando isso acontece, o OKR virou a lista de tarefas do dono, e ele não alinha ninguém. O check-in passa a ser o fundador relatando para o time, o que é o inverso do que a reunião serve.

O conserto é distribuir a propriedade mesmo quando é desconfortável. Dono do resultado-chave não é quem executa tudo: é quem sabe o número e diz o que vai fazer quando estiver atrás. Uma pessoa de oito consegue ser dona de "reduzir o tempo de resposta" mesmo sem decidir o preço da empresa.

O risco real: a urgência do cliente

Com oito pessoas, um cliente grande com um problema consome a semana de metade do time, e isso acontece três ou quatro vezes por trimestre. É o que come o OKR, não a falta de método.

A defesa é aritmética feita antes: some as horas realmente livres de operação e atendimento, multiplique por treze semanas, e escreva o OKR dentro disso. Um objetivo que exige 40% da capacidade numa empresa que tem 15% livre não é ambicioso, é falso, e o time percebe na terceira semana.

Perguntas frequentes

Com 8 pessoas, quantos resultados-chave?
Três, com um dono cada. Quatro se houver alguém sobrando para ser dono do quarto. A conta é literal: cada resultado-chave precisa de uma pessoa que sabe o número e de trabalho real apontando para ele, e você tem oito pessoas que também fazem tudo o mais.
Precisa de ferramenta?
No primeiro trimestre, não. Uma planilha e um compromisso na agenda resolvem. A ferramenta passa a render quando o número precisa vir de sistema em vez de digitação, e quando você quer que o resultado-chave esteja ligado às tarefas do dia a dia.
E se o time é todo operacional?
Escolha um resultado-chave que a operação sente e move, como prazo de entrega ou retrabalho, e deixe-o visível onde o trabalho acontece, atualizado em ritmo diário. OKR que só existe numa reunião de escritório não muda operação nenhuma, e com oito pessoas isso fica óbvio rápido.
Vale a pena, ou é cerimônia demais para o tamanho?
Vale quando existe algo a mudar e as pessoas estão remando para lados diferentes. Com oito pessoas, uma remando para outro lado é 12% da empresa. Se todo mundo já sabe a prioridade e ela está acontecendo, o OKR vai acrescentar pouco, e reconhecer isso é melhor que implantar por obrigação.
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