OKR ou metas SMART: qual usar em cada situação, com exemplos dos dois

Por Érico Rodrigues4 min de leitura
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SMART é um critério para escrever uma meta bem: específica, mensurável, atingível, relevante e temporal. OKR é um sistema de gestão, com ciclo, cadência e ligação entre níveis. Eles não competem: um bom resultado-chave quase sempre passa no teste SMART. A pergunta certa não é qual usar, é o que cada um resolve.

O que cada sigla significa?

SMARTOKR
O que éCritério para escrever uma metaSistema de gestão por ciclos
EscopoUma meta por vezA empresa inteira, por trimestre
Traz cadência?NãoSim, o check-in semanal
Diz quantas metas ter?NãoSim, poucas e explícitas
Liga níveis da empresa?NãoSim
Ambição esperadaAtingívelDesconfortável, em algumas escolas
Os dois lado a lado

A leitura da tabela é que eles operam em camadas diferentes. SMART responde "esta meta está bem escrita?". OKR responde "quais metas devem existir, quem responde por elas e como acompanhamos?". Perguntar qual usar é como perguntar se você prefere ortografia ou um livro.

Onde os dois discordam de verdade?

No "A", de atingível. O SMART pede metas que se acredita conseguir bater, e isso é sensato para meta individual e para compromisso com terceiros. Parte da tradição de OKR pede o contrário: metas desconfortáveis, em que 70% já é um bom resultado.

A minha leitura, depois de ver os dois caminhos em empresas pequenas: a meta desconfortável só funciona onde a cultura genuinamente não pune o 0,7. Onde ela pune, e é a maioria das empresas brasileiras de porte médio, a meta ambiciosa produz frustração no primeiro ciclo e metas conservadoras no segundo. Nesse caso, o "A" do SMART está mais certo que a tradição.

Uma saída prática que funciona: escreva a meta que se espera bater e suba a régua a cada ciclo. Constrói-se hábito melhor com vitória do que com frustração calibrada, e depois de três ciclos com o método vivo dá para experimentar a meta ambiciosa com segurança.

Como usar SMART para escrever resultado-chave melhor?

Como checklist, item a item, na hora de escrever. Veja um resultado-chave ruim passando pelo teste:

LetraPerguntaCorreção que ela força
SEspecífico: melhorar o quê exatamente?O tempo de primeira resposta
MMensurável: qual número?De 9 horas para 2 horas
AAtingível: cabe na capacidade do time?Cabe, com a triagem automática já contratada
RRelevante: muda algo que importa?Sim, é a reclamação número 1 na pesquisa
TTemporal: até quando?Até 30 de junho
"Melhorar o atendimento" passando pelo checklist

O resultado final é "reduzir o tempo médio de primeira resposta de 9 horas para 2 horas até 30 de junho", que é exatamente a forma de um resultado-chave bem escrito. O checklist não acrescenta nada ao OKR; ele impede o erro mais comum, que é parar no "melhorar o atendimento".

O que o SMART não resolve?

Três coisas, e são as três que decidem se a gestão funciona.

  1. Quantas metas ter. Vinte metas perfeitamente SMART são vinte prioridades, ou seja, nenhuma.
  2. Como acompanhar. SMART não traz check-in, dono nem ritual. Uma meta bem escrita e nunca revisitada morre igual a uma mal escrita.
  3. Como ligar níveis. Ele não diz nada sobre a meta do time conversar com a da empresa, que é metade do valor do OKR.

É por isso que empresas que só usam SMART costumam ter um documento de metas anuais que ninguém abre depois de março. As metas estão bem escritas. Falta o resto do sistema.

Perguntas frequentes

Posso usar SMART sem OKR?
Pode, e para meta individual ou compromisso pontual costuma ser suficiente. O limite aparece quando você quer que a empresa inteira persiga poucas coisas juntas: aí falta o mecanismo de escolha, de cadência e de ligação entre níveis, que é justamente o que o OKR traz.
O objetivo do OKR precisa ser SMART?
Não, e forçar isso estraga o objetivo. Ele é qualitativo de propósito, para ser memorável e dar sentido. Quem carrega a exigência de mensurável é o resultado-chave. Um objetivo com número quase sempre é um resultado-chave se disfarçando.
Metas SMART servem para avaliação de desempenho?
Servem melhor que OKR, justamente por causa do "A". Meta de avaliação precisa ser previsível e justa, e é isso que a torna má candidata a OKR: quando o mesmo instrumento decide bônus e direção estratégica, todo mundo passa a escrever o que sabe que vai bater.
Existe alguma situação em que SMART é melhor que OKR?
Quando o problema é uma meta só, com um responsável só, sem necessidade de alinhar ninguém. Montar ciclo, check-in e desdobramento para isso é cerimônia sem ganho. OKR começa a valer quando existem várias pessoas que precisam puxar para o mesmo lado.
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