Como conectar o OKR do time ao da empresa sem virar cascata burocrática

Por Érico Rodrigues5 min de leitura
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Cascatear é quebrar o objetivo da empresa em fatias e distribuir; conectar é cada time responder "como nós contribuímos para isso". A primeira produz OKR de time que não faz sentido sozinho e que ninguém sente como seu. A segunda leva mais tempo na definição e é a única que sobrevive a fevereiro.

Por que a cascata literal falha?

Imagine que a empresa quer elevar a receita de 4 para 6 milhões. Na cascata, o comercial recebe 1,2 milhão a mais, o marketing recebe a fatia de leads correspondente, e o suporte recebe a parte de retenção. Parece lógico e produz três problemas.

  1. A fatia não faz sentido sozinha. "Trazer 1,2 milhão a mais" não diz nada sobre COMO, e é o como que o time domina.
  2. Ninguém sente como seu. Recebido não é escolhido, e a diferença aparece na semana 5.
  3. Os times não conversam entre si. Cada um otimiza a própria fatia, e alguém sempre acaba prejudicando o vizinho.

O terceiro é o mais caro e o menos visível. Comercial acelera fechando com desconto, marketing baixa o custo por lead atraindo gente errada, e o suporte descobre em maio que o churn subiu. Todos bateram a fatia deles.

A pergunta que substitui a cascata

O time recebe o objetivo da empresa e uma pergunta: como nós contribuímos para isso? A resposta é escrita pelo time, e ela pode surpreender a liderança, o que é justamente o ponto.

Na prática, a liderança apresenta o objetivo e os resultados-chave da empresa, explica o raciocínio, e vai embora. Cada time faz noventa minutos sozinho. Na semana seguinte todos leem os OKRs uns dos outros em conjunto.

Os três padrões de ligação

PadrãoO que o time fazExemplo, para o objetivo de receita
Contribuir para o númeroMove diretamente uma parte do resultado da empresaComercial: elevar a conversão de proposta em contrato de 22% para 31%
Remover o obstáculoAtaca o que impede outro time de mover o númeroTI: reduzir de 21 para 7 dias o tempo até o cliente novo usar o produto
Criar a condiçãoConstrói o que torna o resultado possível no ciclo seguinteRH: elevar de 2 para 6 os vendedores treinados no novo produto
Um time pode contribuir de três formas, e as três são legítimas

O segundo e o terceiro padrões são os que a cascata literal não consegue produzir, e costumam ser onde está a maior alavanca. Um time de TI que reduz o tempo de ativação move a receita mais que uma fatia de receita atribuída a ele.

A leitura conjunta, e o que procurar nela

Uma hora, na semana 3, com todos os OKRs numa lista só. É a reunião que a cascata dispensa e que a conexão exige, e ela paga o próprio custo na primeira execução.

  • Dois times perseguindo o mesmo indicador: decidir quem é dono, e o outro vira apoio sem KR próprio.
  • Um resultado-chave que depende inteiramente de outro time: ou o outro assume, ou vira risco declarado.
  • Um objetivo da empresa sem nenhum time apontando para ele: é o achado mais importante, e ele aparece aqui ou em março.
  • Um time com resultado-chave que não conversa com nada: pode ser operação legítima, e vale nomear como tal.

A terceira linha é a que justifica a reunião sozinha. Um objetivo corporativo órfão é comum e invisível: cada time escreveu algo razoável, e ninguém pegou justamente o que a liderança mais queria. Descobrir na semana 3 custa uma conversa; descobrir em março custa o trimestre.

Mapa da estratégia do Orzon mostrando a árvore de times, objetivos, resultados-chave e KPIs
A árvore inteira: da empresa ao time, do time ao resultado-chave, e dele ao indicador

Todo time precisa de OKR ligado ao da empresa?

Não, e forçar isso produz texto. Times cujo valor está em manter a operação rodando com previsibilidade podem ficar com indicadores e faixa de normalidade, sem OKR. Financeiro e jurídico frequentemente estão nessa situação, e dizer isso em voz alta tira pressão em vez de rebaixar ninguém.

Perguntas frequentes

Quantos níveis de OKR uma empresa deve ter?
Dois, na esmagadora maioria dos casos: empresa e time. Um terceiro nível, individual, empurra o método para perto da avaliação de desempenho. E um nível de diretoria entre empresa e time só faz sentido acima de duzentas pessoas, com unidades realmente separadas.
E se o time discordar do objetivo da empresa?
É uma boa notícia disfarçada: discordância explícita significa que o objetivo foi compreendido. Vale ouvir antes de fechar a definição, porque o time costuma ter informação de operação que a liderança não tem. O que não pode é a discordância virar silêncio e reaparecer como OKR que não aponta para lugar nenhum.
O OKR do time pode ter meta maior que a soma pediria?
Pode, e é saudável. Se cada time escrever exatamente a fatia matemática, a empresa chega no limite exato do plano e qualquer imprevisto derruba o conjunto. Alguma folga distribuída é o que faz o objetivo corporativo sobreviver a um trimestre normal.
Como ligar isso na prática, sem virar planilha de matriz?
Uma linha em cada OKR de time dizendo a qual objetivo da empresa ele aponta. Só isso. Matriz de rastreabilidade completa é o tipo de artefato que se constrói uma vez, ninguém atualiza, e passa a mentir a partir da semana 4.
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