OKR ou BSC: um quadro de decisão para PME brasileira

Por Érico Rodrigues4 min de leitura
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BSC organiza a estratégia inteira em quatro perspectivas e é feito para durar anos; OKR escolhe poucas prioridades por trimestre e é feito para mudar. Para empresa de 10 a 200 pessoas, OKR costuma servir melhor porque o gargalo é foco e velocidade, não abrangência. BSC rende quando a estratégia já está estável e precisa ser desdobrada.

O que cada um resolve?

O Balanced Scorecard nasceu nos anos 1990 como resposta a um problema real: empresas geridas só por indicador financeiro tomavam decisões que melhoravam o trimestre e destruíam o ano seguinte. A proposta foi equilibrar quatro perspectivas, financeira, cliente, processos internos e aprendizado, e mostrar a relação de causa entre elas.

O OKR ataca outro problema: uma empresa que sabe o que quer e não consegue fazer o time inteiro perseguir a mesma coisa neste trimestre. Ele não tenta cobrir a estratégia inteira; tenta garantir que a fatia escolhida realmente aconteça.

BSCOKR
Pergunta que respondeA estratégia está completa e equilibrada?O que vamos mudar neste trimestre?
HorizonteAnual ou plurianualTrimestral
CoberturaA empresa inteira, por construçãoPoucas prioridades. O resto fica fora
Como se acompanhaPainel de indicadores por perspectivaCheck-in semanal por resultado-chave
Custo de montagemAlto. Mapa estratégico leva semanasBaixo. Um dia de reunião
Melhor emDesdobrar estratégia maduraDar foco e velocidade
Falha típicaFica no mapa e não vira execuçãoPerde a visão do todo
O quadro de decisão

Por que empresa pequena costuma escolher errado?

Porque BSC parece mais sério. Ele tem estrutura, quatro perspectivas, mapa causal e aparência de método completo, e para quem está montando a gestão pela primeira vez isso é atraente. O problema aparece dois meses depois: a empresa tem um mapa bonito e ninguém mudou o que faz na segunda-feira.

É um caso claro de método que exige um pré-requisito que a empresa ainda não tem. O BSC desdobra uma estratégia; ele não a produz. Uma empresa de vinte pessoas que ainda está descobrindo o próprio posicionamento não tem o que desdobrar, e o exercício vira preenchimento de quadrantes.

O sintoma de que isso aconteceu é específico: existe um mapa estratégico impresso na parede, com trinta indicadores, e ninguém consegue dizer qual deles alguém está trabalhando esta semana. O mapa não está errado. Ele só não tem mecanismo de execução acoplado.

Dá para usar os dois?

Dá, e é a combinação mais defensável quando a empresa já tem porte. O BSC funciona como o mapa: o que a empresa persegue no longo prazo, distribuído nas quatro perspectivas, com o painel de indicadores permanente. O OKR funciona como o recorte: destas trinta coisas, estas três são o trimestre.

Nessa montagem, o painel do BSC é onde vivem os KPIs, e o OKR é onde vive a mudança. É exatamente a mesma distinção entre indicador e resultado-chave, só que com um nome mais formal para o painel.

Qual escolher, na prática?

  1. Se a empresa não consegue dizer em três frases qual é a estratégia, comece pela estratégia. Nenhum dos dois resolve isso.
  2. Se a estratégia existe e o problema é ninguém executar, comece por OKR. É mais barato e o efeito aparece em um ciclo.
  3. Se a empresa executa bem e toma decisão sempre olhando só o financeiro, o BSC resolve o que o OKR não resolve.
  4. Se você tem mais de 200 pessoas e várias unidades, provavelmente vai querer os dois.
  5. Não adote os dois no mesmo trimestre. Dois métodos novos ao mesmo tempo garantem que nenhum pegue.

Perguntas frequentes

BSC está ultrapassado?
Não, e a fama de burocrático vem mais de como ele costuma ser implantado do que do método. A ideia central, de que decisão guiada só por indicador financeiro sacrifica o futuro, continua correta e é a razão de existir dos pares de indicadores que qualquer OKR bem escrito também usa.
O mapa estratégico do BSC serve para OKR?
Serve muito bem, e é um dos melhores usos dele numa empresa que roda OKR. O mapa mostra a relação de causa entre as perspectivas, e é dele que sai a conversa sobre qual alavanca atacar neste trimestre. O que não se transporta é a exigência de cobrir tudo.
Quantos indicadores um BSC deve ter?
A recomendação clássica fica entre vinte e vinte e cinco, distribuídos nas quatro perspectivas. Na prática, empresa de médio porte que passa de trinta perde a capacidade de usar o painel para decidir, que é o mesmo limite de atenção que faz o OKR pedir poucos objetivos.
Posso transformar as quatro perspectivas em quatro objetivos de OKR?
Pode e costuma dar errado, porque força a empresa a ter uma prioridade em cada perspectiva mesmo quando o trimestre pede concentração em uma só. O ponto do OKR é escolher; o do BSC é equilibrar. Misturar as duas lógicas produz quatro objetivos mornos.
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